terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Transdisciplinaridade Hoje

A Transdisciplinaridade atravessa uma grave crise: o predomínio de um pensamento materialista impede que pesquisadores e estudiosos avancem além das evidências materiais que permitiram o seu aparecimento. Por exemplo, as constribuições da física quântica. Mas, essas constribuições apenas abriram as primeiras portas. É preciso abrir a mente também. Por exemplo, os três pilares da transdisciplinaridade, segundo os atuais pesquisadores, são: a complexidade, a lógica do terceiro incluído e os níveis de realidade.
Os cientistas "enxergam" os níveis de realidade como entes concretos e, portanto, exteriores ao sujeito, que se revelam em "espaços" próprios com epistemologia exclusiva. Ora, essa objetividade carrega consigo um certo ranço cartesiano. Ao mesmo tempo em que a física quântica induz a esse raciocínio, também expõe uma realidade probabilística, que tem uma tendência a existir. Quando o sujeito indaga, provoca, especula, revela uma das manifestações possíveis desse fundamento da realidade. Logo, o sujeito tem papel decisivo nesse processo (o famoso "Gato de Schrödinger"). Então, em vez de níveis de realidade, não seriam dimensões do próprio sujeito, que é capaz de perceber o exterior através de uma multidimensionalidade? Por exemplo, os cinco sentidos da matéria, mas também a intuição, a precognição, premonição, etc. Estas últimas acontecem em dimensões atempotais e independentes de distâncias. São acontecimentos sincrônicos, como se os sujeitos e os fatos compartilhassem uma mesma dismensão, ou espaço, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância. Ora, os cinco sentidos, por exemplo, estão sujeitos à tridimensionalidade do espaço-tempo. O ouvido recebe informações sonoras que foram emitidas segundos antes. Mesmo que esteja ao lado do emissor, ainda assim haverá uma "delay", ainda que imperceptível. A precognição permite ao sujeito tomar conhecimento de algo que ainda não é existente revelado. Como é possível? Ora, não revelado não significa inexistente, apenas um existente em trânsito, na mesma condição que uma partícula subatômica antes de se "revelar" na forma corpuscular ou ondulatória. Antes disso, ela não é nem uma coisa, nem outra. Portanto, onda ou partícula não são contraditórias, mas complementares, pois são revelações de um mesmo fundamento, que se torna tangível de forma diversificada em face das diversas escolhas possíveis feitas pelo sujeito, como por exemplo, a especificidade de uma experiência de laboratório, conforme o instrumento de medida e as indagações formuladas, esse fundamento se torna sensível de diversas formas também, não sendo nenhuma, em particular, necessariamente mais verdadeira do que as outras.
A partir desse raciocínio podemos percorrer outros caminhos, como a realidade do espírito, princípio inteligente, e suas relações com a matéria e suas diversas formas de manifestação.

Continuaremos em outra oportunidade.

2 comentários:

Guilherme Knopak disse...

Muito bem colocadas as questões relativas a um tratamento ainda cartesiano de uma abordagem que exige um novo olhar. Mesmo Basarab Nicolescu, que procura estabelecer algumas bases para o estudo da transdisciplinaridade, parece ainda não ter conseguido se despir de uma roupagem excessivamente materialista que impede resultados mais satisfatórios. Quando ele fala de níveis de realidade também aborda níveis de percepção, separando o que chama sujeito transdisciplinar de objeto transdisciplinar dando novos nomes para a velha separação sujeito-objeto, deixando de reconhecer que a essência que estrutura todos os entes é a mesma que estrutura o ser humano, sendo que nesse último há tratamento e interpretação diferenciados paras as informações.
O que Rui Paz coloca muito bem, da forma como o entendo, é que a abordagem do sujeito em relação ao objeto só é possível, em várias das manifestações mencionadas (como precognição, por exemplo), pelo fato da base de ambos ser a mesma, sendo que toda leitura do mundo também exige e reforça uma leitura interior.
Parabéns pelo blog e aguardo mais reflexões.

Guilherme Knopak disse...

Muito boa a colocação de que há ainda uma perspectiva cartesiana para um estudo que exige uma mudança de abordagem. Mesmo com todo o esforço em renovar, Basarab Nicolescu trabalha junto à idéia de níveis de realidade os níveis de percepção, separando aquilo que chama de objeto transdisciplinar do sujeito transdisciplinar, dando novos nomes para a clássica distinção cartesiana de sujeito e objeto. Rui Paz, se assim o entendo, demonstra que as possibilidades de relação entre sujeito e objeto, como a intuição por exemplo, só são possíveis por haver uma estrutura comum a ambos, uma mesma essência, transdisciplinar a todas as existências particulares. Destas relações, com todas as suas variedades, é que se efetivam as concretizações no temporal em face da temporalidade. Esse entendimento trazido por Rui é fundamental para renovar as pesquisas e conceitos em transdisciplinaridade.
Parabéns e ficamos na expectativa de novas reflexões!