sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Transdisciplinaridade

Transdisciplinaridade
O propósito deste blog é promover o debate sobre a Transdisciplinaridade.
Nas última décadas, temos presenciado transformações de intensa e extensa envergadura em todo os campos do conhecimento, que têm permitido descobertas, invenções, inovações a velocidades atordoantes. Nossas vidas foram profundamente impactadas pela impressionante velocidade desse processo, mas, nossa maneira de ver o mundo, pensá-lo, descrevê-lo, não aacompanhou no mesmo ritmo. Com efeito, estabeleceu-se uma decalagem entre o ser e o pensar. É como se desejássemos percorrer distâncias a velocidades que desenvolvíamos aos 18 anos, mas operando um corpo de 50 anos. O pensamento estabelece a meta, mas o corpo não corresponde à altura. Logo, é preciso ajustar um ao outro, ou seja, o pensado deve encontrar sustentação no instrumento que irá executá-lo e vice-versa. Um homem não pode pensar em ir à lua pilotando um biplano. Assim, é preciso ajustar nossa visão imaginária do mundo ao mundo real em que vivemos. Nossos valores e crenças temporais estão em descompasso com a temporalidade da nossa existência. Nossos cânones estão defasados. Isso aumenta significativamente nossas angústias, porque não alcançamos a maior parte do desejado, pois é inconciliável com a dinâmica do temporal revelado.
A Transdisciplinaridade vem ao encontro dessa necessidade. Não é o mundo que está louco, desregrado, imcompreensível, mas nossa forma de encará-lo é que ficou para trás. Isso o torna assim, caótico, sem esperanças, obscuro.Gaston Bachelard afirma que "na natureza não há o simples, só o simplificado". Mas, nós fomos formados na tradição ocidental cartesiana-newtoniana, donde se busca sempre a explicação simples por detrás da "aparente" complexidade do real. Invariavelmente, por vício de origem, simplificamos o complexo. É como se quiséssemos conhecer o rio apenas subtraindo-lhe uma caneca d´água. Quando contemos essa pequena parte do rio, perdemos a maior parte da dinâmica e das relações existentes com o ecossistema que o envolve. Com efeito, teremos uma pálida idéia da sua exuberante riqueza e, em face dessa simplificação, produziremos mais ignorância do que conhecimento acerca da sua complexidade. Assim, é mais fácil degradá-lo, pois não percebemos a malha de relações que somente a sua esplêndida dinâmica, in loco, é capaz de revelar.
Aprendemos a apreciar uma paisagem "fotografando-a", congelando aquele momento. Mas, o permanente movimento do existente não permite produzirmos duas fotografias idênticas de uma mesma paisagem, pois, a apenas uma fração de segundo após a primeira exposição, ela não será mais a mesma, nunca mais. Portanto, precisamos aprender a pensar em movimento, a memorizar em movimento, a existir em movimento. Dessa forma, estaremos sincronizando o ser e o pensar, ajustando a visão de mundo ao mundo da visão.
Por hoje é só. Continuaremos....

Um comentário:

Rui Paz disse...

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