
As grandes transformações começam com pequenas alterações em nossos afazeres cotidianos.
Como vimos no post anterior, no exemplo da invenção da máquina à vapor, os seus precursores reencarnaram entre 100 e 60 anos, aproximadamente, antes desse engenho tornar-se imprescindível à manutenção da humanidade. Como podemos compreender essa antecedência aparentemente tão longínqua?
É improvável que novas necessidades surjam de repente, sem avisar. Quando um novo desafio exige respostas compatíveis, os sinais do seu advento já estavam informando e comunicando desde muito antes de tornar-se um grande problema a ser enfrentado . Vejamos.
Na Idade Média, a expectativa de vida das pessoas não passava de 30 anos (há autores que afirmam ser de 25 anos). Na segunda metade do Século XIX, essa expectativa atingira 40 anos, ou seja, aumentara no mínimo 33%. As pessoas vivendo mais, consomem mais, demandam na mesma proporção. Com o agravante de se encontrarem cada vez mais concentradas nos meios urbanos. Portanto, nos trezentos anos que separam uma estatística da outra, os métodos de produção, distribuição e consumo tiveram que ser profundamente alterados. E isso não aconteceu num curto espaço de tempo. Vários acontecimentos menores se somaram ao longo tempo para permitir a revelação das novidades tecnológicas, como a máquina de Watt. Então, um desafio de grande envergadura, que somente iria manifestar-se efetivamente em meados do Século XIX, começou a ser "pensado", por assim dizer, muito antes de alguém o conceber. Quando foi percebido e tornado consciente compondo a mentalidade, as respostas aos desafios que trouxera já estavam elaboradas e efetivadas.
Como tudo informa e comunica permanentemente, as pequenas alterações diárias no cotidiano das pessoas, como seu hábitos, costumes, qualidade de vida, melhorias em geral, começam a convergir como pigmentos de um pintura e, depois de um certo tempo, permitem vislumbrar esboços de cenários que se tornam, gradativamente, mais nítidos. Quando um artista inicia uma obra, normalmente registra primeiro o esboço, através de traços simples e provisórios. Aos poucos, vai acentuando os traços definitivos, até revelar definitivamente o que está por trás do seu objetivo de representar algo. Pois, historicamente falando, não é diferente. Mutatis mutandis, cada alteração que fazemos nos afazeres cotidianos compõe, gradativamente, novos horizontes, da mesma forma que os pigmentos de uma pintura artística. Aos poucos, as novidades alcançadas pelo esforço de cada indivíduo são fundadas e jogadas nas redes sociais e espirituais, informando e comunicando a todos, simultaneamente, na forma de vasos comunicantes que, pelo processo de polimerase, desencadeia grandes alterações de mentalidade em face dos novos conhecimentos produzidos nos segmentos das redes. Em determinadas épocas, quando tais "pigmentos" alcançam uma certa maturação, indivíduos capacitados a produzir grandes sínteses, pelo grande poder de empatia que detêm, pragmatizam a novidade na forma de descobertas, invenções e inovações.
Esses indivíduos capacitores não estavam naqueles locais e épocas por acaso. É como se tivessem recebido "convites" para comparecem naqueles cenários e desempenharem papéis específicos, em face de seus talentos e habilidades.
(continuaremos.....)